Frente a frente com Mario Orion Souza dos Santos

Frente a frente com
 Mario Orion Souza dos Santos

 Nosso entrevistado desta semana é o homem que a maioria das pessoas, pelo menos os mais antigos conhecem como o Mario Alfaiate. O que nem todos sabem é que a sua história está repleta de experiências que vão muito além da profissão que mais o tornou conhecido. Filho de Pedro dos Santos e Florentina Moreira de Souza, Mario é pedritense e cresceu nas redondezas de onde mora até hoje, na rua Osvaldo Aranha. Mario, que completa setenta anos em 2018, é casado há 47 anos com Maria Francisca Gonçalves dos Santos, com quem tem quatro filhos.

 Contou-nos que começou a aprender a costurar muito novo, aos 12 anos de idade, algo inconcebível nos dias atuais, coisa passível de prisão. Aprendeu o ofício com outro grande nome da alta costura, João Jorge da Silva Alves, e também com Kalil Antônio Taier, mas sobre isso falaremos mais adiante. Por ora, contaremos um pouco de sua trajetória como desportista. Meia esquerda renomado em Dom Pedrito e região, Mario jogou no Esporte Clube Cruzeiro, onde tem uma belíssima trajetória, mas também atuou em outros clubes do estado, com destaque para o Espor Club Internacional, onde jogou por quatro anos nas categorias de base, época em que o Estádio Beira Rio  recém iniciava sua construção. 

Gauchão, Pereca, Adão Bilula, Edison Paz, Direção,
 Jaime Tavares, Ito, Valer (Negrinho),
Mariozinho, Bardeto, Ivonir Chagas
 A foto que ilustra esta entrevista é de quando Mariozinho jogava no Cruzeiro, aos 15 anos de idade. "Esse time era imbatível aqui na região, nós jogávamos com times profissionais de toda a região: Saviana de Uruguaiana; 14 de Julho, Armour e Grêmio Santanense de Santana do Livramento; Gabrielense e outros. Fato digno de nota é que Mario completou 15 anos atuando pelo Internacional. No dia do aniversário, ele jogou pelo Inter contra o Botafogo e contra o Cruzeiro de Dom Pedrito, time de suas origens. O placar do jogo contra o Botafogo, pelo que ele se recorda foi 3 a 1 para a equipe da capital e contra o Cruzeiro, um empate, com direito a um tumulto em campo, coisas do futebol. Nesta época, o irmão de Mario, que também jogava no Cruzeiro, optava por não enfrentar o irmão, "Bandeira". Se Mario estava em campo, Bandeira não entrava. Um lance do jogo entre Internacional e Cruzeiro - "O time da casa bate um escanteio, Nitota tira de cabeça para a esquerda, quando a bola desceu, meu irmão bate e manda a bola na forquilha. O goleiro Schneider nem viu a bola. Sua história no Inter foi, então de quatro anos. Depois disso ele foi emprestado para o Avenida de Santa Cruz do Sul, o ano era 1969. Depois de um mês nesta equipe, pediu um aumento, e como não conseguiu, voltou para Dom Pedrito e em seguida conheceu aquela que veio a ser a sua esposa, com que vive até hoje. Na cidade, seguiu jogando no Cruzeiro. Na década de 1970, em um clássico, num desses lances mais fortes de um jogo, rompeu os ligamentos do joelho, se operou, aqui mesmo no hospital, com o dr. Matoso e dr. Silva Neto. Três meses depois, resolveu entrar em uma partida e novamente, mais um torção no joelho e nova operação. Desta vez ficou cinco anos sem jogar.

 A história como alfaiate custou um pouco a começar, pois para quem não sabe Mario trabalhou por muitos anos na imprensa pedritense, na parte de impressão do jornal Ponche Verde. A convite de Bernardo Miranda Munhoz, então proprietário do jornal, Mario começou como tipógrafo e depois como linotipista, tempo que a impressão ainda era feita na cidade. Lá muitas histórias viveu, com outros grandes nomes como Torquato Portilho. Mario, nessa altura, queria ganhar um pouco mais e como não obteve êxito resolveu mudar de profissão. Bernardo possuía algumas peças do prédio sem uso, e Mario resolver perguntar a ele se poderia alugá-las para montar sua oficina de costura. O ano era 1988. Alfaiate desde os 15, Mario começou então a exercer o ofício que o tornou conhecido e reconhecido. Em 1992 transferiu seu atelier para sua casa, onde trabalha até hoje, menos é verdade, por opção sua. Nossa conversa foi assim, em uma tarde de outono. Ele em frente à máquina de costura, nós, do Folha, sentados à sua frente. A porta aberta dava visão à calçada. Frente à frente, em meio a conversas e risadas, amigos passavam a acenavam. Um deles se achega, também conta histórias, piadas e vai embora. Nós também nos despedimos, não antes de deixar registrado na lente do Folha da Cidade, a imagem deste ilustre pedritense.

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