A Maçonaria e a Loja Maçônica Cruzeiro do Sul III


 Hoje trazemos um tema que muitas vezes é envolto em crendices, em preconceitos até, qual seja, a Maçonaria. Como sempre, tal fato se dá em razão da falta de informação, de esclarecimento. O singelo trabalho que apresentamos a seguir não é destinado a estudiosos, tampouco aos maçons, visto que trata-se de um pequeno e resumido apanhado de notícias que trazemos ao público, como forma de ilustrar, de maneira geral, o que vem a ser essa sociedade e qual a sua história na comunidade pedritense. Foram colaboradores na produção deste trabalho o professor Adilson Nunes de Oliveira, museólogo e diretor do Museu Paulo Firpo, bem como a própria Loja Maçônica Cruzeiro do Sul III, que nos deu acesso às suas instalações e nos forneceu, através da revista publicada em 1998 por ocasião de seu centenário, os subsídios necessários para que pudéssemos, hoje, trazer a público estas sucintas informações. Foram colaboradores desta revista: Leão Feldman, João Roberto Vasconcelos, Hugo Brenner de Macedo, Antonio G. Laval, Helio Sarubbi da Cunha, Sérgio Zani Vicente e Adilson Nunes de Oliveira.

 Na cronologia da história pedritense, a Maçonaria é a mais antiga instituição privada, não religiosa. Constituída a freguesia, formalizada a lei provincial de dezembro de 1859, em 1874 fundou-se aqui uma Loja Maçônica que tomou o nome de União Pedritense. Foi seu primeiro Venerável o cidadão Antônio Marques França. Em setembro de 1890, a União Pedritense fez a aquisição do prédio da Rua sete de Setembro, onde, anos depois, viria a instalar-se a Loja Maçônica Cruzeiro do Sul III. Pouco tempo depois, a União Pedritense deixou de existir, ou "abateu colunas", na linguagem maçônica. Reviveu, em forma concreta, a associação maçônica, a transferência, para Dom Pedrito, de oficiais do Exército Nacional, Vindos de Uruguaiana para uma unidade da corporação que aqui fora instalada, alguns desses oficiais eram maçons, pertencentes à Loja Maçônica Cruzeiro do Sul II, de Uruguaiana. Em Dom Pedrito, então, fundaram a Loja Maçônica Cruzeiro do Sul III, conforme Ata de Fundação instalada em 13 de Outubro de 1898 (imagem), esta, portando a data de seu nascimento. Ocupou o imóvel que pertencia à União Pedritense, na Rua Sete de Setembro. Filiou-se ao Grande Oriente do Brasil.

 O primeiro Venerável foi, portanto, o Maj. Alencastro Carneiro da Fontoura. Integrando à comunidade pedritense, em 1900 nela passou a funcionar uma escola de Primeiras Letras; em 1908 foi criado o Ateneu Maçônico Pedritense, originário dessa escola, ministrando ensino degrau mais elevado. Teve como diretor um mestre que se consagraria, como tal, na cidade, o professor, Irmão Bernardino Tatu. Falecido o major Alencastro, sua viúva Dona Maria Francisca Macedo Fontoura, cumprindo a vontade de seu falecido marido, doou, no mesmo ano de 1908, à Loja Maçônica Cruzeiro do Sul III, uma gleba de propriedade do casal, localizada ao noroeste da cidade, com a condição de nela ser construída uma Casa de Caridade. No ano seguinte fundou-se naqueles terrenos a Santa Casa de Caridade de Dom Pedrito, fruto da irmandade maçônica com a colaboração da comunidade. Em 1958, a Cruzeiro do Sul III se mobilizou para desenvolver na cidade, o ensino secundário. Cuidava-se de transformar uma escola particular - Ginásio Nossa Senhora do Patrocínio, de escola particular, destinada somente para homens, em escola pública e para ambos os sexos. 

 A campanha para a obtenção desse objetivo não foi pacífica, mas ao contrário, encontrou muitas resistências que agitaram, então, setores da sociedade. O Ginásio Nossa Senhora do Patrocínio, então, misto e gratuito, viu sua clientela escolar multiplicar-se; não tardou a ganhar os cursos Científico e de Técnica Comercial, com aulas nos três turnos.

 Por essa época a Loja Cruzeiro do Sul III passava a abrigar, nos terrenos que lhe foram transmitidos pela vontade do major Alencastro, o chamado "Lar de Meninas", assistido pela Legião da Cruz, da Igreja Episcopal Brasileira. Em dezembro de 1961, a Cruzeiro do Sul cedia parte dos mesmos terrenos à Legião Brasileira de Assistência, para a construção de um asilo da velhice, que logo foi edificado e passou a funcionar, constituindo-se hoje, em uma entidade louvada por quantos a conhecem (ver pág 7 desta edição). Mais tarde, a Cruzeiro do Sul III cedia espaços de sua gleba para a localização de prédios públicos. Desta vez foram duas escolas municipais, a Escola Alda Seabra e a Escola Infantil Maria Francisca.

 A Loja Maçônica Cruzeiro do Sul III, que se iniciou filiada ao Grande Oriente do Brasil, passou à Grande Loja do Rio Grande do Sul e hoje integra o Grande Oriente do Rio Grande do Sul, foi ciosa sempre, da sua autonomia, no contexto estadual e nacional.

 Urna constante das comemorações do centenário da loja. Na placa está escrito: Esta urna encerra documentos do ano do centenário da Loj. Simb. Cruzeiro do Sul III, com o fim específico de serem decifrados quando das comemorações do seu sesquicentenário, no ano de 2048. E.V. 13/10/98.

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