A síndrome do abandono, 22 anos depois


 A  síndrome do abandono, é o título de uma matéria de capa, da primeira edição do Folha da Cidade, em abril de 1996 e, portanto, agora, 22 anos depois, iniciamos a abordagem deste tema com o mesmo título, visto que o problema que naquela época era trabalhado pela reportagem, persiste na atualidade, qual seja, as pessoas em situação de rua. Em outubro de 2017, nosso jornalismo já falou sobre o tema. Naquela oportunidade contávamos sobre alguns casos de nosso município, onde pessoas em situação de vulnerabilidade eram atendidos pelas assistentes sociais da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social e, como hoje os problemas permanecem recorremos ao mesmo discurso feito no inverno passado, onde a secretaria em questão adota ações que estão dentro de sua área de competência, como a realização das rondas, que visam atender aqueles que estão em situação de rua, encaminhando-os ao albergue, fornecendo-lhes, assim, abrigo temporário, alimentação e higiene. A seguir apresentaremos três casos crônicos da atualidade. Mesmo sendo seus nomes amplamente conhecidos, usaremos pseudônimos para preservar suas identidades:

PAULO - De família pedritense, Paulo é outro usuário do Albergue Municipal. Viciado em álcool, passa os dias, pelo menos quando não está desacordado por efeito da bebida, "catando latinhas", obviamente para sustentar o vício. Como todos os moradores em situação de rua, possui familiares na cidade que, inclusive, por inúmeras vezes o auxiliaram, até com moradia. Encaminhado por mais de uma vez a instituições para tratamento médico adequado, de retorno, permaneceu durante tempo mais ou menos longo livre da bebida, mas que sem acompanhamento adequado, e aqui não se entra no mérito de quem é essa responsabilidade, acabou sempre por cair na mesma vala, entregue ao vício e aos olhares enojados dos que muitas vezes passam ao seu lado.

JOÃO - Mais um usuário da rede de assistência do município, João, diferentemente dos demais, não enfrenta problemas de alcoolismo, pelo menos na atualidade; entretanto, como muitos já devem terem visto, é portador de uma patologia, recentemente diagnosticada e deverá ser em breve encaminhado para tratamento adequado. Passa as noites no albergue e, pela manhã se dirige até a Pracinha da Paz. Depois do meio dia, vai para a esquina da Rua Brigadeiro Camilo Mércio, com a Av. Barão do Rio Branco, onde aguarda até que o Albergue abra suas portas. Por sua condição, recebe um benefício do INSS e, o que talvez seja o mais grave, é que a família que deveria utilizar o dinheiro em benefício dele, não faz mais do que pagar uma pessoa, também usuária do albergue, para lavar as suas roupas. O restante do dinheiro? Isto é o que parece ser mais imoral: ficar com o dinheiro de uma pessoa nestas condições.  Os três casos em questão não estão desassistidos pela prefeitura, que através da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social, tem feito diariamente, dentro dos limites que a lei impõe, tudo que é possível a estes seres humanos. 

PEDRO - Usuário há muitos anos do albergue, inúmeras administrações se sucederam sem que sua condição tenha mudado. Homem dos seus quarenta e poucos anos, embora o envelhecimento precoce tenha castigado seu rosto, é um alcoólatra com inúmeras internações em sua ficha de atendimento. De caráter ameno, colhe o fruto de desventura familiar por ele mesmo plantada. Os que o conheceram dizem ter sido um homem trabalhador, mas que se rendeu ao vício, que terminou por trazer a falência familiar, abandonado, talvez por conta da bebida, justamente pela mulher e a filha. Sem casa, largado à própria sorte, veio a encontrar na Pracinha da Paz, a sua sala de estar diária. A indigência e a rua foi o destino que lhe coube, e até hoje segue recebendo o atendimento do município, dentro do que a lei permite, é claro. Inúmeros trabalhos na intenção de auxiliá-lo já foram feitos, contudo, internações e tratamentos se mostraram ineficazes diante da escolha por ele tomada, ao longo de muitos anos.

Confira a matéria completa na edição impressa de 30 de junho.

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