Luciana Michel


Não tenho condições de ser miss!

 Fico procurando palavras para escrever minha coluna e estou custando a achá-las. Gostaria de falar sobre as eleições brasileiras deste ano, mas realmente não sei por onde começar... Tento buscar expressões para traduzir o que sinto, mas não as encontro facilmente. Aqui, do outro lado do oceano, me estarreço e, entre falatórios, opiniões bizarras, discussões e até brigas entre amigos, que me saltam aos olhos nas redes sociais, fico ainda mais confusa. Espanto, tristeza, não são os termos certos, pois já são figurinhas repetidas que, em relação à política do nosso país, fazem parte há muito tempo de minha lista de sentimentos. Acho que está tudo tão perdido, que não me sinto com capacidade para acrescentar alguma opinião, boa ou ruim. Não sei o que é votar conscientemente em um momento como esse. Me perdi total. Colocaria a culpa ao tempo que moro na Europa, mas estar longe não significa estar distante e seria injustiça. Nem uma pessoa que nunca se interessou muito por política, como eu, sim assumo, consegue ficar fora de tamanha bagunça e vergonha.  Mas é óbvio que, se já e tão difícil para quem vive aí escolher alguém para dirigir essa nave sem rumo chamada Brasil, imaginem para quem está além-mar, numa realidade completamente diferente. Ainda estou aqui procurando o que escrever de concreto sobre tão polêmico assunto, então, lembrei de contar como os brasileiros que vivem na França fazem para votar. Quem sabe fazendo um texto mais informativo que opinativo, me saia melhor, não é? Bom, o que deve ser feito é simples, transferir o título para Paris e estar em dia. Não é necessário nenhum recadastramento ou registro, basta obter as informações atualizadas de sua zona e seção eleitoral. A votação, que é só presidencial, acontece apenas na capital francesa, dificultando bastante para quem não mora por perto. Dos 11047 eleitores que estavam aptos a votar, um total de 4.480 marcaram votos válidos, além de 97 em branco e 100 nulos. Embora tenha crescido em relação aos outros anos, o número é pequeno perto do tamanho da comunidade na França, onde vivem cerca de 70 mil brasileiros, de acordo com estimativas do Consulado do Brasil em Paris.

 O prazo da transferência do título, terminou em 9 de maio, e só reabre em novembro. Confesso para vocês que não é a primeira vez que perco a data e, confesso mais ainda, que não me arrependo muito, tamanha minha falta de noção em quem votar. Terei que regularizar minha situação, mas fiquei livre do embaraço de ter que optar por políticos, que tenho certeza, não farão bem para um país em desespero. Corro o risco de ser chamada de muitas coisas por causa de minha abstinência, o que talvez, nesse momento, não me importe muito, e prefira continuar no meu estado de coma civil induzido, que também posso chamar de alienação defensiva. Porém, se dependesse dos representantes “brazucas” que vivem na terra de Napoleão e que, diga-se de passagem, são melhores cidadãos que eu, o candidato Ciro Gomes iria para o segundo turno, com 31,1% dos votos válidos, junto com Fernando Haddad e seus 25,8%. Em terceiro lugar, com 25,1%, Jair Bolsonaro. Em quarto, com 6,98%, aparece João Amoêdo, à frente de Marina Silva 3,9%, e Geraldo Alckmin 3,7%. Guilherme Boulos foi o escolhido de 1,83% dos votantes. Os outros candidatos receberam menos de 1% dos votos válidos. Cabe a vocês julgarem se os forasteiros em terras estrangeiras, conseguem escolher melhor ou pior o que poderia ser bom para o futuro do país.

 Voltando à incessante vontade de escrever plausível – o que provavelmente não aconteça – penso no que escutei durante toda essa semana aqui em Paris. Entre amigos e até, meu musculoso professor de academia, todos se referiam aos dois candidatos vencedores do primeiro turno com adjetivos pouco elogiosos. Senti vergonha, mas entendo meus queridos “conterrâneos” franceses, porque sei que uma situação como essa não seria aceita por eles. Aqui, o povo tem a “estranha mania” de fazer o possível para não eleger corruptos, preconceituosos e radicais. E nisso, consigo me posicionar e concordar com eles.

 Para tentar concluir, o que na verdade nem tem conclusão de minha parte, assim como não me considero feia, mas sou ciente de que nunca tive condições de ser miss, também sei que não sou burra, mas admito que a política brasileira, onde nada tem nexo nem verdade, me “emburrece”.

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